domingo, 7 de março de 2010

Transmitindo saberes

A presença da linguagem oral é marcante nas culturas africanas, em que os griots (ou “griôs”, em português) são as pessoas responsáveis pela manutenção e promoção da oralidade como fonte e difusora da cultura e da história. Entre os griots estão contadores de histórias, músicos, poetas, enfim, mestres na arte da retórica. Seu trabalho é passar às novas gerações os conhecimentos alcançados através do tempo, dos eventos, dos espaços freqüentados, atendo-se às raízes de seu povo de forma a preservar a memória e as tradições culturais de seus antepassados.

Para contemplar esta tradição oral da cultura africana é realizada a palestra “Hora do Griot”. O desenvolvimento desta atividade é cargo do palestrante senegalês Ibrahima Gaye, um verdadeiro griot africano radicado no Brasil desde 1998. A palestra é preparada para um público de até 80 alunos, mas aberta também à presença dos professores. Em sua narrativa, Gaye relata de uma forma clara e divertida a África em que cresceu, desmistificando estereótipos, de maneira encantadora – como foi possível constatar pela reação das crianças e adolescentes que participaram das atividades do CAE piloto.


A palestra “Hora do Griot” tem três pontos altos a serem destacados. O primeiro dele é a expressão de respeito dos povos africanos entre as pessoas, especialmente em relação às mais velhas. Esta relação tão intrínseca pode compreendida nas palavras do filósofo e escritor malinês Amadou Hampaté Bâ: “Na África, um velho que morre é uma bibliotéca que queima!”. Esta reflexão promove novas discussões em relação a disciplina básica de nossas crianças, bem como a dos adultos. O segundo fator de destaque é visível nos olhares surpresos dos alunos participantes, tamanha a diversidade linguística do continente. O palestrante conta que, no Senegal, por exemplo, as crianças aprendem 1três idiomas internacionais na escola pública (francês, inglês e, em seu caso, o espanhol), fora outras línguas nativas e o árabe, pelo menos para a maioria muçulmana do país. Uma realidade impensável para as nossas crianças. O terceiro ponto é uma a exposição fotográfica sobre a cultura e o desenvolvimento africanos. Ao mostrar cidades como Dakar, com seus prédios e suas ruas urbanizadas, novamente desconstrói esteriótipos amplamente disseminados no ocidente e que carregam à idéia de que no Continente Negro só existe vida selvagem.

http://www.centrocultural.m2014.net/?lang=pt_br


Muito semelhante com nossas rodas de história e de contos.Essas transmissões de conhecimentos de forma oral é uma maneira de se manter e valorizar a cultura de um povo.

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